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sábado, 1 de dezembro de 2007

A tabela inclinada do PISA

Ou como transformar um sucesso em eficiência escolar numa humilhante derrota.

Desde 2000, quando o Brasil entrou no programa internacional de avaliação de estudantes (PISA), a posição do Brasil está nos últimos lugares. Isso levou os envolvidos na educação brasileira a falar até em "tragédia da educação brasileira". Sempre que eu lia isso ficava muito desanimado, com vergonha.

Até que a ficha caiu: como comparar um desempenho de um país com PIB de 8 mil dólares com o desempenho de um país com PIB de 33 mil dólares?

A gente tem que relativizar todos estes números. Para isso, fiz uma googlenilha comparando não só os investimentos na educação, mas PIB per capita equalizado pelo poder de compra (PPP).

Para cada dólar investido pelo Brasil, o México precisa investir 1,8 dólares para obter o mesmo resultado. A Finlândia, primeira colocada no PISA 2006, precisa investir 5,37 dólares. Os EUA, os que mais investem, precisam colocar 7,66 dólares para obter o mesmo resultado que o Brasil. Os dados e a bibliografia que mostram isso estão na googlenilha Desempenho escolar e investimento em educação no Brasil.

Temos um quinto da riqueza dos EUA, um quarto da riqueza dos europeus, mas não temos uma situação quatro vezes pior que a deles, apenas dois terços da situação deles. Nossa educação é ruim, mas é muito melhor do que deveria ser pelo que a gente gasta.

Todos estes anos, os administradores de educação vêm tratando um fenômeno de eficiência educacional, uma vitória de um país pobre contra todas as adversidades , como uma derrota vergonhosa.

Então, divulguem isso para todos os colegas professores: o Brasil é um dos melhores do mundo em eficiência na Educação. Parabéns ao MEC, aos professores, aos estudantes (principalmente) e à sociedade brasileira. E vamos melhorar, porque há muito a fazer.

Sim, eu sei que a evasão escolar é enorme, a repetência é recorde, professores ganham pouco, bla bla bla. Mas com a auto-estima revigorada, vamos melhorar a Educação, que está ruim comparada com o que poderemos fazer colocando todas as escolas em rede, como prevêm os projetos UCA e Gesac.
Caveat: Não é exata uma correlação direta entre PIB e PISA porque as 108 questões do teste de 2006 vão ficando progressivamente mais difíceis. O Brasil poderia ter acertado questões mais fáceis (o que provavelmente aconteceu). Mesmo assim, como a nota máxima é 1000 (mil), ficamos apenas 11% atrás da média dos países da OCDE (390/1000 contra 500/1000). Veja também PISA 2000, que mostra a eficiência brasileira em educação básica.

3 comentários:

Robert disse...

Talvez você queira fazer um update no seu post, utilizando o seguinte link:

http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/claudio-moura-castro-o-saeb-e-as.html

Kaifas

Samuel Rocha de Oliveira disse...

Olá,

Fiz um comentário no post do Sérgio Lima sobre os seus dados:

http://sergioflima.pro.br/blog/blogs/index.php/blogefisica?blog=6&title=a_diferenca_entre_ser_critico_e_ser_pess&page=1&more=1&c=1&tb=1&pb=1&disp=single#c32682

Meira da Rocha disse...

Recebi hoje a pontuação máxima do PISA, pelo INEP (pisa@inep.gov.br). A nota máxima é 1000 (mil). A média dos ricos é 500...

Mas estou lendo os PDFs da OCDE. A nota e a correlação com o PIB não são tão lineares assim, porque as 108 questões da prova são progressivamente difíceis. O Brasil poderia ter acertado questões fáceis, por exemplo (o que possivelmente aconteceu). Mesmo assim, a nota brasileira (390) é apenas 11% menor que a média dos ricos (500), considerando-se o máximo de mil pontos.

E chamo a atenção para o fato que estes dados não são estatísticas, são dados de amostragens da realidade: a nota em uma prova e o PIB.

Mas, claro, há muito que fazer em Educação. Tenho esperanças que o projeto Um Computador por Aluno (UCA) venha a ser um grande fator de desenvolvimento da escola, das famílias e da sociedade brasileira, os três maiores responsáveis pela Educação.